Aprovada pela nona vez em uma federal. Chegou com R$ 2 no bolso. O que Olívia não pode é parar agora.
Aos 19 anos, Olívia já havia calculado a estrutura de um viaduto para a Prefeitura de São Paulo. Um cálculo de engenharia que exige domínio real de matemática — feito por uma adolescente que cursava Economia e que, ao mesmo tempo, tentava sobreviver dentro de casa.
O pai, que servia na Força Aérea e tinha uma empresa de engenharia, mantinha uma aparência sólida por fora. Dentro de casa, o cotidiano para Olívia era de agressões desde a infância. Ela não guarda uma única memória da infância sem se machucar em casa.
Naquele mesmo ano, quando o pai descobriu que ela era trans, a agressão foi tão grave que Olívia ficou internada por 43 dias. Quando teve alta, foi expulsa de casa.
Sem lar, sem renda, em plena pandemia, Olívia foi parar nas ruas de São Paulo. Em um mês, perdeu 13 quilos. Passou por um período muito difícil — foi agredida com uma faca no pescoço, o fêmur foi gravemente fraturado, e os médicos precisaram reconstruí-lo com 40 gramas de platina. Ela sobreviveu.
Em dezembro de 2022, foi presa injustamente por um crime que a própria vítima afirmava não ter sido ela. Passou 15 dias detida. No dia 8 de março de 2023 — Dia Internacional da Mulher — foi absolvida.
No dia em que saiu, tomou uma decisão sozinha: parar com o crack. Trancou-se na casa da mãe. Ficou 130 dias sem sair, sem medicação, sem internação, sem recaída. Só ela e a vontade de mudar.
De volta a São Paulo, foi agredida por um novo companheiro e acionou imediatamente a lei. Tornou-se a primeira mulher trans do Brasil a conquistar medida protetiva e aluguel social pela Lei Maria da Penha, após decisão histórica.
Quando finalmente tinha um lar novamente, a fábrica de fogos de artifício que ficava nos fundos do terreno explodiu. A casa ficou destruída. Olívia sobreviveu porque havia saído para comprar um remédio.
Mesmo com tudo isso, Olívia foi aprovada em Economia. Era sua nona aprovação em uma universidade federal. Ela pegou o que tinha e foi para o Rio de Janeiro.
Chegou com R$ 2 no bolso.
Na chegada, dormiu na calçada em frente ao centro de acolhida porque a prefeitura negava vagas. Dentro dos abrigos, teve comida negada e foi humilhada. Em determinado momento, não conseguiu voltar para São Paulo porque não tinha os R$ 22 da passagem de barca.
Não foram os 4 anos de faculdade que travaram. Foi R$ 22.
Esta campanha existe para garantir que aluguel, alimentação e materiais não sejam o motivo pelo qual Olívia não termina o que conquistou com tanto esforço. São 4 anos de graduação — o tempo que ela precisa de estrutura para concluir o que já provou ser capaz de fazer.
Ela disse: "Eu passei em nove federais. O problema nunca foi a prova. O problema sempre foi o que vinha depois da aprovação."
Olívia já provou, mais vezes do que qualquer pessoa deveria precisar provar, que tem o que é preciso para chegar lá. O que falta agora é estrutura. E você pode ser parte disso.
Sua doação vai diretamente para o custeio da graduação da Olívia,
acompanhada de prestação de contas transparente e atualizada mensalmente.